TERAPIA

O conceito de ajuda – nossa cultura costuma emprestar ao termo ajuda um sentido bastante pejorativo, gerando repúdio a simples ideia de pedir ajuda. Pois caracterizam qualquer solicitação de ajuda como a débil manifestação de quem apresenta absoluta incapacidade de resolver seus próprios problemas.
Perseverança e força de vontade são realmente qualidade fundamentais do paciente psicoterapêutico, por residir nelas a força maior que derruba obstáculos, resolvendo os problemas existentes, e por caracterizar a coragem da maior parte dos pacientes que buscam, por vontade própria, ajuda psicoterápica.
Assim como coube ao paciente a iniciativa de procurar ajuda, por reconhecer em si um potencial de felicidade não realizado, também compete ao paciente a iniciativa no processo terapêutico.
Onde o terapeuta, sempre num trabalho junto com o paciente, gradualmente auxilia mais e mais o paciente na compreensão de si mesmo e na definição de seus próprios possíveis caminhos. Para isto, o terapeuta busca facilitar ao paciente o alargamento de sua percepção, porque somente após esse alargamento o paciente pode aumentar sensivelmente a sua compreensão de si mesmo e dos fatos de sua vida.
O indivíduo percebe apenas uma parte do que está disponível à percepção, tanto do que está a sua volta, quanto do que está ocorrendo dentro dele. E, assim, tenta compreender a sua vida a partir, apenas, de um número menor de dados do que seria necessário (estava na minha frente, e eu não vi...).
O terapeuta facilita ao paciente o aprimoramento de seus mecanismos de percepção, aumentando assim a qualidade de dados de que o paciente passa a dispor para suas análises e decisões.
A relação terapêutica facilita ao indivíduo tomar “consciência do papel que pode desempenhar na direção de sua própria vida, aceitando a reponsabilidade que acompanha a liberdade desta autoridade e tornando-se capacitado a fixar seu curso de ação com mais perfeição.
Porque esta determinação do curso de ação na vida requer de todo indivíduo um contato mais pleno com sua própria realidade e um reconhecimento mais completo de suas necessidades. Se o organismo, afinal, está lutando por atingir sua auto- realização, diferentes situações obrigam no a diferentes comportamentos, e assim, o mesmo indivíduo pode ser rígido em uma situação e relaxado em outra, ansioso numa terceira e despreocupado em outra quarta, buscando adaptar se, sempre, ao que dele é exigido pela vida, ao que lhe dá prazer ou ao que o ameaça.
Contudo quando o indivíduo encontra uma barreira que toma mais difícil para ele conseguir a completa realização de si mesmo, formam- se áreas de resistência, atrito e tensão, e se surgidos repetidamente, com o organismo sofrendo mais ou menos as mesmas frustrações e impedimentos durante toda a vida, muito mais rapidamente instalam- se, ali, bloqueios que distorcem a percepção da realidade ou a compreensão das manifestações interiores e sentimentos do próprio indivíduo.
A energia necessita correr, se ela encontra ligeiros bloqueios, ela os contorna e mantém o seu curso. Se é constantemente desviada e represada, entretanto conduz o indivíduo a comportamentos inadequados.
Assim o processo terapêutico atua principalmente na remoção destes bloqueios mais severos, facilitando ao indivíduo o fortalecimento de sua capacidade perceptiva e compreensiva, permitindo- lhe a tomada de decisões com um grau de clareza e adequação até então nunca sentido.
E quem nos procura, geralmente são seres humanos angustiados e sobrecarregados de dúvidas e tensão. Homens e mulheres comuns, pais e mães, profissionais de todos os tipos, jovens e velhos, solteiros casados e casais – todos com o mesmíssimo problema: infelicidade.
O que é felicidade?
A nossa cultura só acredita em felicidade se o indivíduo estiver rindo, fizer uma festa ou comemoração. E como resultado todos acreditam que a felicidade é um estado passageiro.
E nós psicólogos, o que acreditamos ser felicidade?
Felicidade é um estado ótimo de equilíbrio entre as necessidades psicoemocionais e orgânicas do indivíduo e as possibilidades de satisfação que o meio ambiente oferece, ou seja, um estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e meio ambiente que o circunda e abriga, portanto possível a todos.
Felicidade, enfim, é sentir- se calmo, não ameaçado, livre de tensões e disposto a conviver cooperativamente com o meio ambiente externo, com o outro e consigo mesmo.
E infelicidade por consequência, é qualquer estado no qual isto não seja possível, provocando um sentimento de incomodo, e se este prolongando, gera distúrbios, podendo ser orgânico, afetivo, intelectual ou interpessoal.
E no consultório estaremos lidando com uma composição de problemas de todas estas áreas básicas.